Entrevista com Iullia Bughadze

Iullia Bughadze, juntamente com o marido e duas filhas, encontra-se em Sesimbra ao abrigo do programa de apoio a refugiados da guerra da Ucrânia e acedeu a conceder-nos esta entrevista, que teve lugar na Biblioteca Municipal de Sesimbra.
Enquanto decorria a entrevista, a filha Mikaella, de 7 anos, olhava nostalgicamente pela janela para a escola básica de Sesimbra, que neste dia se encontrava fechada devido a uma greve: apesar de frequentar a escola há pouco tempo, integrou-se bem e já sente falta das aulas.
A sua irmã, de 4 anos, frequenta o infantário de Santa Joana.

Já conheciam Sesimbra ? Como é que ouviram falar desta terra?

Nós não conhecíamos Sesimbra. Já tínhamos pensado sair da Ucrânia, antes da guerra — tínhamos pensado fazer uma viagem a Portugal com a esperança de que, se encontrássemos condições, podermos ficar em Portugal durante muito tempo.
Portugal, já conhecíamos um pouco: já tínhamos estado em Portugal há quatro anos. Nós trabalhávamos numa agência de viagens, portanto podíamos viajar com maior facilidade. Nessa altura estivemos em Lisboa, no Porto e na Madeira. E ficámos com vontade de viajar mais pelo país e de o conhecer melhor. O clima é bom para as crianças, tem oceano: é um país muito bonito, um dos mais bonitos da Europa, na nossa opinião.
E quando a guerra rebentou na Ucrânia, o meu marido falou comigo e disse que devíamos voltar a tentar o nosso sonho de procurar outro país. Contactámos uma organização ucraniana que trata dos assuntos dos refugiados, a qual começou a procurar lugares e alojamento para nós.
Como nós temos amigos na cidade do Porto — que conhecemos quando viemos cá pela primeira vez — viemos ter com eles, estivemos dois dias no Porto e foram eles que nos ajudaram a procurar e acabámos por optar por Sesimbra, em parte pela proximidade ao oceano.
Não temos dinheiro para pagar uma renda elevada, mas começámos por encontrar alojamento gratuito, em casa de uma pessoa conhecida dos nossos amigos, que concordou em fornecer gratuitamente alojamento durante um mês — um apartamento na vila de Sesimbra.
O meu marido, em dois dias, encontrou emprego num restaurante, também em Sesimbra.
Também colocámos as nossas filhas na escola: a mais velha na escola básica e a mais nova num infantário.
Aqui em Sesimbra encontrei uma amiga, vinda de Kiev…

Que está cá também por causa da guerra?
Sim, sim. Ela vive em Sesimbra, mas numa pequena aldeia próxima. Com a ajuda dela, conseguimos encontrar e arrendar um apartamento em Sesimbra, um arrendamento de longa duração.

E estão a gostar de viver cá?
Sim, sim.

Quando saíram da Ucrânia, pensaram que seria por um curto período de tempo?
Primeiro pensámos que íamos ficar em Sesimbra por pouco tempo; mas não sabemos quanto tempo vai a guerra durar, possivelmente teremos de procurar emprego para ficar cá um período mais longo.
Depois do Verão, talvez tentemos mudar para uma cidade maior, onde haja mais oportunidades de emprego.

Como ocupa agora o tempo?
Agora ando a aprender português, num curso fornecido pelas autoridades oficiais — todos os ucranianos que estão em Sesimbra estão a frequentar este curso, todos os dias.

São muitas pessoas?
À volta de vinte pessoas, vinte e cinco

E a guerra no seu país, pensa que ainda vai durar muito tempo?
Não sabemos, é muito difícil prever.

As suas filhas estão a adaptar-se bem à escola?
Sim. As crianças adaptam-se bem.

Ela já tinha começado a escola na Ucrânia?
Sim, sim, já tinha concluído o primeiro ano.

Tem contactado com a sua família na Ucrânia?
Sim, todos os dias.

Eles estão em que zona do país?
Eles residem em na zona ocidental da Ucrânia, em Lviv, na fronteira com a Polónia, mas agora vieram para Kviv, para a nossa casa, porque neste momento Kviv é mais segura.
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Acompanha todos os dias o que se passa na Ucrânia? Como?
Sim, através do telefone e das redes sociais.

Tem esperança que a situação melhore na Ucrânia em breve?
Sim, sim.

O primeiro-ministro português deve visitar a Ucrânia em breve. Hoje mesmo [21 de Maio] está de visita à Polónia.

Sim, é o percurso que costumam fazer, primeiro pela Polónia, depois a Ucrânia.

Os outros refugiados ucranianos que estão em Sesimbra também se estão a adaptar bem?

Penso que sim, mas não há ofertas de trabalho, nenhum deles trabalha, para além de uma mulher que trabalha no porto.

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Editor
Director do jornal O Sesimbrense